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Como evitar golpes do falso empréstimo: sinais de fraude e regras

Aprenda a reconhecer fraudes de crédito com pedido de pagamento prévio, taxas inexistentes de avalista e como consultar financeiras oficiais no BCB.

O golpe do falso empréstimo é uma das fraudes financeiras mais recorrentes no país, atingindo principalmente consumidores com restrições cadastrais, desempregados ou pequenos comerciantes que necessitam de recursos urgentes. Os golpistas criam sites e perfis idênticos aos de bancos renomados e utilizam argumentos falsos para exigir depósitos antes de supostamente liberar o dinheiro.

A regra de ouro: nenhum banco cobra taxa para liberar crédito

O Banco Central do Brasil é categórico em seus alertas oficiais: nenhuma instituição financeira autorizada a funcionar no país cobra qualquer quantia antecipada para conceder empréstimos ou financiamentos1.

Todos os custos legítimos envolvidos em uma operação de crédito — tais como juros remuneratórios, Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e tarifa de cadastro — são incorporados ao saldo devedor e diluídos nas parcelas mensais futuras1.

Se alguém solicitar qualquer transferência prévia para liberar um contrato, trata-se de fraude.

Os pretextos mais comuns usados por fraudadores

Os criminosos costumam inventar taxas com nomes aparentemente técnicos para justificar a exigência de depósitos via Pix ou boleto:

  1. Taxa de avalista ou seguro-fiança: Afirmam que, como o cliente tem score baixo ou CPF negativado, é necessário pagar uma taxa para um fiador do banco garantir a operação;
  2. IOF antecipado: O IOF é um tributo federal real, mas é retido diretamente na fonte pelo banco no momento em que o dinheiro é creditado na conta, jamais pago por Pix antecipado para terceiros1;
  3. Desbloqueio de score ou certidão cartorial: Nenhuma empresa privada tem autorização legal para cobrar pelo aumento artificial da nota de score nos birôs de crédito;
  4. Taxa de liberação ou taxa de transferência eletrônica: Alegam que o dinheiro “travou no sistema do Banco Central” e que apenas uma taxa de destravamento liberará o montante.

Como os golpistas operam

O esquema geralmente segue um padrão bem estruturado:

  • Anúncios patrocinados em redes sociais e buscas: Promessas de crédito fácil, taxas de juros abaixo da Selic de mercado e aprovação garantida sem consulta ao SPC/Serasa;
  • Atendimento por WhatsApp com fotos e logotipos oficiais: Uso de fotos de funcionários reais obtidas em redes profissionais para transmitir credibilidade;
  • Contratos falsificados com carimbos e CNPJ real: Os fraudadores utilizam a razão social de financeiras verdadeiras, alterando apenas os dados bancários para contas de pessoas físicas (laranjas);
  • Escalada de exigências: Se a vítima realiza o primeiro pagamento solicitado, o golpista inventa uma nova exigência sob a ameaça de que ela perderá o valor já depositado se não fizer a nova transferência.

Como verificar se uma financeira é verdadeira

Antes de fornecer dados sensíveis (fotos de RG, CNH, comprovante de residência ou selfie com documento):

  1. Consulte o catálogo do Banco Central: Acesse a ferramenta “Encontre uma Instituição” no portal oficial do Banco Central (bcb.gov.br) e confirme se a empresa possui autorização legal para operar2;
  2. Verifique os correspondentes bancários: Correspondentes bancários precisam estar formalmente vinculados a uma instituição autorizada. Entre em contato direto com a central telefônica oficial do banco para confirmar o credenciamento;
  3. Analise a conta do destinatário do Pix: Instituições financeiras sérias recebem recursos por meio de contas jurídicas registradas em seu próprio CNPJ institucional, nunca em contas de pessoas físicas.

O que fazer caso tenha sido vítima

Se você realizou transferências para uma conta fraudulenta:

  • Acione imediatamente o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix: Entre em contato com o seu banco em até 80 dias da transação relatando expressamente a suspeita de estelionato;
  • Registre Boletim de Ocorrência (BO): Emita o registro na Delegacia Eletrônica da Polícia Civil anexando comprovantes de pagamento, número das contas envolvidas e conversas gravadas3;
  • Monitore seu CPF no Registrato: Verifique periodicamente no sistema Registrato do Banco Central se contas ou chaves Pix foram abertas indevidamente em seu nome com os documentos enviados aos golpistas.

Footnotes

  1. Banco Central do Brasil. Perguntas frequentes e alertas oficiais sobre golpes financeiros. Consultado em 21 out. 2026. ↩ ↩2 ↩3

  2. Banco Central do Brasil. Encontre uma Instituição Autorizada pelo BCB. Consultado em 21 out. 2026. ↩

  3. Decreto-Lei nº 2.848/1940 (Código Penal), art. 171, § 2º-A (fraude eletrônica). Texto compilado no Planalto. ↩

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